Este blog é destinado a todos que quiserem de alguma forma colaborar com o mundo das terapias, no sentido único e exclusivo de ajudar o ser em suas diversas formas de conviver com o mundo que vive, enfim ajudando o ser a ser. Valdete Coelho Sant´ana - Psicóloga CRP 12/11881
quinta-feira, 27 de abril de 2017
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
sábado, 18 de setembro de 2010
Postado por Adriana Pereira
O BODE EXPIATÓRIO
Publicado por Patricia em 7/5/09 (251 leituras)
José Del-Fraro Filho
Psiquiatra, Psicanalista
jose@patriciaejosedelfraro.com.br
Alguns recortes
No seu livro o mal estar da civilização, Freud levanta a questão do Super Ego cultural dizendo que este promove uma ética que regula os relacionamentos humanos e que tenta barrar a agressividade inerente a todo sujeito, substituindo-a por culpa. Para Freud a agressividade desse gesto da internação poderia passar despercebida, na medida em que usavam como pretexto o discurso de que era preciso aprisionar os que não amavam racionalmente. Em nome da sociedade e em nome do amor. Todo esse mecanismo em jogo ainda traria a vantagem de projetar no outro, os desejos, que agora dão contorno somente ao rosto do desatinado, se vendo livres de reconhecerem em si mesmos o mesmo rosto.
Depois usando os conceitos de Marilena Chauí na construção do fenômeno ideologia o artigo diz que A ideologia é o instrumento possível para a dominação das classes. se esta dominação for percebida, os explorados se sentirão no direito de recusa-la. Por isso seu papel é impedir isso, dissimulando e ocultando essa divisão social para esconder sua própria origem. Para isso transforma as idéias particulares de classe dominante em idéias universais válidas para todos.
A universalidade dessas idéias é abstrata, pois existem idéias particulares de cada classe, que faz com que enxerguemos somente a imediatez de uma realidade como algo dado, feito acabado, sem nunca nos indagarmos como foi construída.
Essa classe dominada se revolta com as injustiças sociais, com o desequilíbrio assolador visto em todos os níveis e sentidos na pele, mas consegue no máximo preceber pessoas que estão em nome dessa dominação como os políticos populistas e/ou pseudo-socialistas, mas não percebem que continuam presas nas artimanhas ideológicas. Presa por certos significantes universais já difundidos pela classe dominante.
Essas idéias que colocavam o homem clássico como o dono e o escravo da Razão, deparados de pessoas que a fabricaram, tiveram como uma dos resultados A Grande Internação que correspondeu não só como conseqüência delas, mas como sua própria confirmação e auto-afirmação.
O mundo correlacional funcionava não só como um remédio aos males do coração, mas como um remédio ao conferir pragmatismo à ideologia vigente, na medida em que se pode colocar em prática esse conjunto de idéias . Os “insanos” se, por um ângulo, eram vistos como “veneno” de uma sociedade burguesa e sua ideologia – veneno que podia corroer as estruturas sociais por outro lado, eram os “remédios” com o qual se encontrava alívio, pois com eles se colocava em pratica o estabelecido ideologicamente, fortalecendo-o.
E nos nossos dias?
A atuação de alguns setores do sistema de saúde e de alguns médicos não se presta como remédio só ao sofrimento mental, mas como eterno paliativo para não alcançarmos avanços, na medida em que são coniventes com a ideologia que se iniciou séculos atrás.
Não vemos introjetados os mesmos preconceitos daquela época, onde no gesto da internação se ocultava num gesto de agressividade incomensurável, de culpabilização (bode expiatório) e de pragmatismo de uma ideologia emergente?
Até onde o susto, o espanto de se deparar com a “loucura do Outro”, aguçando em maior ou menor intensidade nossos conflitos e com isso angústia, nos impede de prosseguir, des
Até que ponto utilizando-se de sutilezas, que não deixa de ser um excelente ingrediente ideológico, ainda não estamos mergulhados em certas práticas daqueles longínquos séculos, onde num certo dia os corações e a liberdade se viram aprisionados nas redes ideológicas?
Nos nossos dias é muito comum “chavões” do tipo:
. “Saúde um direito para todos...”
. “A internação, em certos casos, é a única saída...”
. “Dignidade ao doente mental, ao trabalho médico...”
Frases de efeito que atuam no imaginário do sujeito carente de soluções, frases formuladas pelos dominantes e utilizadas como mero instrumento ideológico. Em nome de alguma coisa que nunca se encontra com o bem-estar social. Avalanche ideológica que nos arrasta cada vez mais à alienação. Alienação esta, que certamente não se confunde com a alienação do Doente mental, mas talvez bem mais daninha. Impregnados por ela, não se pode mais traçar a linha de um rosto diferenciado. Algo da ordem de uma massificação, de uma “coisificação”, se configura numa única imagem: a do rosto-escravo, a do rosto-objeto, sem liberdade, sem cidadania, “parafuso dispensável numa sociedade tecnocrata. (ClariceLispector).”
E é interessante um aspecto que surge através desse comentário: O dito alienado mental, talvez, seja o único livre dessa mesma alienação, na medida em que se refugiando no mundo inconsciente é preso de suas próprias leis, não mais podendo ser analisado como o sujeito que compartilha os códigos de uma dada cultura, que colocaria este indivíduo em condições à rebeldia ou como elemento mantenedor da resignação, fruto último e mais nocivo da ideologia e da alienação. A alienação pode conduzir à morte do sujeito social.
E por fim quero apontar, mais uma vez, o risco que corre a Psiquiatria em nossos dias: ser colaboradora do processo ideológico quem mata o sujeito social transformando-o em objeto social: “Ideologia é um conjunto de idéias, de valores e condutas que prescrevem aos mem
A Ciência pode se prestar ao serviço ideológico e muito... mas pode dizer e não dizer muito mais...
Se o psiquiatra em sua prática encarna o tempo todo e não questiona o chamado “Discurso de Mestre”, onde imaginariamente ocupa o lugar do saber absoluto, não estaria ele sendo, ao mesmo tempo, lacaio de sua própria onipotência e de armações ideológicas mascaradas com o respeitado rótulo de científicas?
E num último viés, o fato da Psiquiatria Biológica ter alcançado grandes avanços, pode servir, por exemplo, como faca de dois gumes: propicia avanços científicos, mas se tomada isoladamente pode ser terreno propício ao enraizamento ideológico. Pode cair num positivismo que tente justificar a miséria psíquica e social, passando por cima de um conjunto de complexos fatores, servindo como campo para práticas inadequadas e retrógradas. Pode servir como alimento a preconceitos e medidas punitivas destinadas às minorias discriminadas desde a Era Clássica. Neste caso, além da enorme contribuição, à manutenção ideológica e morte do sujeito social estaríamos colocando em risco a própria Psiquiatria, enquanto ciência que se presta a aliviar ou no mínimo não compactuar com o sofrimento humano. Aí nesse ponto, a Psiquiatria e o seu louco serviriam de remédio... De remédio a qualquer ameaça de mudança e reestruturação que se fizessem esboçar...
No cap. 4, na pág. 134, Foucault, nos coloca o conceito tão estranho da alienação psicológica, acorrentando sempre o outro em relação a sua liberdade. O louco, todos que naquele momento histórico gritam contra o controle e repressão, o que o racionalismo autorizou entre o castigo e o remédio de acordo com o cap. 3 na pág. 87, o gesto que pune e o gesto que cura.
Hoje ainda temos em nossa sociedade castigos e remédios, quando, por exemplo, além da palmada tão discutida hoje em dia contra a criança, aquela que não tem como se defender, a palmada psicológica que castiga, que sugere o medo, a coerção. Dogmas e rotulações feitas que restringem a capacidade da análise e reflexão, colocados de tal forma que inibem o ser pensante de pensar. E que tal os hiper-reativos em vez dos hiper-ativos?
Quem deixa quem louco? Luis Antônio Baptista, em seu texto “A atriz, o padre e a psicanalista – os amoladores de facas” nos diz:
“O fio da faca que esquarteja, ou o tiro certeiro nos olhos, possui alguns aliados, agentes sem rostos que preparam o solo para esses sinistros atos. Sem cara ou personalidade, podem ser encontrados em discursos, textos, falas, modos de viver, modos de pensar que circulam entre famílias, jornalistas, prefeitos, artistas, padres, psicanalistas, etc. Destituídos de aparente crueldade, tais aliados amolam a faca e enfraquecem a vítima, reduzindo-a a po
A falta de algo, um laço partido, isso leva as pessoas a sala de terapia seja ela qual for, a uma religião ou a qualquer outra situação que a faça procurar esse depender.
Vejo que toda a dependência é a falta de algo, um desejo que não é satisfeito, onde o sujeito busca suprir, Freud diria que é sublimar, direciona o desejo para outra coisa. mas a questão é a falta de que? Pulsão de vida, pulsão de morte? Mas essa falta parece-nos a falta de alguém, já que o homem é um ser social e precisa constantemente estar sendo exaltado, isto é se sentir alguém e não um ninguém, precisa ser em vez de ter, num universo tão complexo, e a falta desse ser e estar como potência, como um ser reconhecido que muitas vezes é ressachado pelo outro, o outro que depende, que o leva a condições muitas vezes patológicas ou poderíamos dizer nos dias de hoje ´´normais``, porque poucos são os enaltecidos. Esses seriam os anormais, gozando de toda condição de superioridade, de ter o tão desejado valor, e então procurar o ter em vez do ser.
Daí as doenças da dependência. Dependências não satisfeitas, dor que invade a alma, a falta, que precisa ser preenchida de diversas formas, e assim substituída por diversas maneiras que preenchem essas
Mas e se tiver tudo isso suprido, o homem consegue ir em frente?Ou se acomoda de todas as lutas, Então esse é o excitamento a que o homem é levado em busca de suas escolhas e de seus projetos? È necessário? Qual seria a dose?
E porque adoece? Não acha mais projeto, não tem mais excitamento, nada mais lhe é interessante? E quando isso acontece? Seria o não ser notado, desvalorizado, a falta?
Pichon concebe o vínculo como uma estrutura dinâmica em contínuo movimento, que engloba tanto o sujeito como o objeto e afirma que esta estrutura dinâmica apresenta características consideradas normais e alterações interpretadas como patológicas. Considera um vínculo normal àquele que se estabelece entre o sujeito e um objeto quando ambos têm possibilidades de fazer uma escolha livre de um objeto, como resultado de uma boa diferenciação entre ambos.
E nenhum paciente apresenta um tipo único de vínculo: todas as relações de objeto e todas as relações estabelecidas com o mundo são mistas. Existe uma divisão que é mais ou menos universal, no sentido de que por um lado se estabelecem relações de um tipo, e por outro, de um tipo diverso. ( Pichon-riviére, 1991) sendo assim, uma pessoa pode estabelecer um vínculo paranóico por um lado, e por outro um vínculo normal ou ainda um vínculo tendendo à hipocondria, isso porque as relações que o sujeito estabelece com o mundo são variadas, bem como as estruturas vinculares que utiliza.
De Certeau no discurso do homem ordinário, nos fala das caças não autorizadas a que o homem recorre num ir e vir no seu cotidiano e este esta movido pelo excitamento do querer e do ser no so
E como tudo depende, depende da cultura, depende do momento, depende de quem e de como, e assim a loucura também depende. E fica aqui a pergunta depende de que?
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
domingo, 17 de agosto de 2008
Armando Ribeiro das Neves Neto [ArmandoNevesNeto]
30/1/08
A Acupuntura ramo da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) vem sendo amplamente absorvida pelos profissionais da saúde ocidentais, que buscam uma compreensão e terapêutica baseadas na visão holística destas abordagens.
A partir da resolução do CFP (Nº 005/2002) a Acupuntura torna-se mais uma estratégia terapêutica no leque profissional do psicólogo brasileiro. A criação da Sociedade Brasileira de Psicologia e Acupuntura (SOBRAPA) em 28/06/2002 e seu reconhecimento pelo Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB) e do Conselho Federal de Psicologia (CFP) promoveram um rápido desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão da Acupuntura em Psicologia. As consequências destas ações já são visíveis na quantidade de contribuições científicas que foram apresentadas no "I Congresso Latino-Americano da Psicologia (ULAPSI)" em São Paulo - SP (2005) e no "II Congresso Brasileiro da Psicologia: Ciência & Profissão - Enfrentando as dívidas históricas da Sociedade Brasileira" em São Paulo - SP (2006) que contaram com mais de 30 apresentações de psicólogos-acupunturistas. >
A Acupuntura como método terapêutico milenar é baseado nas concepções cosmogônicas da antiga cultura chinesa. Como um dos ramos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) com mais de 5.000 mil anos de história, a Acupuntura baseia-se em três grandes princípios: (1) o homem é estudado como indivíduo completo; (2) o homem responde ao Céu e à Terra (noção do Yin e do Yang) e (3) a vida do homem é regida pela regra dos Cinco Elementos (noção de concordância). 1- O homem é estudado como indivíduo completoA medicina grega (Hipócrates) também via o homem como um todo. O meio ambiente, a dieta e suas emoções faziam parte da avaliação e cuidados médicos. Há pelo menos 100 anos no ocidente, a psicologia influenciou profundamente a medicina atual com teorias sobre o papel das emoções, pensamentos e comportamentos no processo de saúde-doença. Diversas abordagens, tais como: psicossomática, psicofisiologia, psicologia médica, psiconeuroimunologia etc. enfatizam o modelo biopsicossocial defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e a conexão mente-corpo passa a ser estudada com profundidade e através das metodologias científicas atuais.2- O homem responde ao céu e à TerraPara a Acupuntura (MTC) a energia vital (QI) é incluída na ídéia de unidade, base da filosofia e da MTC. Tanto o macro, quanto o microcosmo são regidos pelo QI (energia vital, sopro) que se manifesta em duas formas diferentes e complementares: a energia Yang (ex. positivo, forte, dinâmico, quente, claro, leve, homem) e a energia Yin (ex. negativo, fraco, estático, frio, obscuro, pesado, mulher). A MTC incorporou o princípio do Yin-Yang para explicar a fisiologia e a patologia humanas, considerando o corpo um todo organizado, composto de duas partes ligadas intimamente, porém opostas. Por exemplo, o coração, como estrutura anatômica é Yin, enquanto os batimentos e a circulação do sangue são Yang. No livro "Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo - Nei Jing" (475-221 a.C.) o processo saúde-doença é resultado do equilíbrio entre as energias Yin-Yang.3- A vida do homem é regida pela Teoria dos Cinco ElementosA teoria dos cinco elementos (madeira, fogo, terra, metal e água), fundamentada na observação e interpretação dos fenômenos da natureza, em que cada órgão tem suas funções representadas pelo elemento correspondente, como, por exemplo, o coração que, relacionado ao estado mental, é representado pelo Fogo, que, por sua vez, interfere na função do baço-pâncreas; e este é responsável pela re-absorção de nutrientes do organismo, equivalendo à Terra, produtora de alimentos, e assim por diante. Desse modo, um indivíduo estressado ou ansioso registra como consequência o aumento do apetite - logo é dito como "o Fogo (coração) afeta a Terra (baço)".A acupuntura é uma modalidade terapêutica que se utiliza de agulhas, moxas, massagem e outros instrumentos nos acupontos, atualmente se descobriu que estes métodos agem por meio da liberação de substâncias químicas no organismo. Como conseqüência, produz efeito analgésico e/ou antiinflamatório, aliviando assim a dor e outros sintomas decorrentes de determinadas doenças. A ciência atual vem apenas confirmando muitas das afirmações milenares da Acupuntura, ainda existem muitos mistérios que a ciência não consegue explicar. A visão da Acupuntura tradicional chinesa, baseada nas concepções de energia vital (QI), Yin-Yang e Cinco Elementos continuam a fundamentar a prática da acupuntura no mundo.A Organização Mundial da Saúde (1979) apóia e recomenda a utilização da Acupuntura para diversas doenças, entre elas: ansiedade, depressão, insônia, neurose e nervosismo, doenças cardiovasculares, dor crônica, doenças psicossomáticas etc.Como a idéia central da Acupuntura é conseguir fortalecer a pessoa como um todo (biopsicossocial), equilibrando a energia vital, através de estímulos sobre os acupontos, a resolução do CFP (005/2002) possibilita ao psicólogo-acupunturista associar mais este recurso terapêutico para o re-equilíbrio do ser humano. A relação entre a Psicologia e a Acupuntura também é defendida por acupunturistas de renome internacional, tais como:Jeremy Ross - “Quando o acupunturista for treinado e experiente nessas modalidades, o aconselhamento e a psicoterapia podem ser integrados ao sistema, caso sejam apropriados às necessidades do paciente. O autor realmente acredita que um dos desenvolvimentos mais promissores da acupuntura é a combinação flexível do trabalho de energia, meditação e aconselhamento” (2003, p. 5).Giovanni Maciocia - "Assim, a Acupuntura apresenta uma influência profunda sobre os problemas emocionais e mentais, mas com limitações. No que se refere a problemas graves de ordem mental, a Acupuntura somente poderá auxiliá-los se combinada com o trabalho de um psicoterapeuta adequadamente treinado” (1996, p. VIII).
http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1033
domingo, 27 de julho de 2008
O cipó-cravo (Tynnanthus fasciculatus Miers) é usado popularmente paracombater má digestão e dores no estômago(foto: Stela Murgel/Unifesp)
Mesmo quase completamente devastada, a Mata Atlântica ainda reserva surpresas em sua vegetação nativa. Já bastante utilizada na medicina popular, só agora a espécie Tynnanthus fasciculatus Miers, originária desse bioma brasileiro, teve suas propriedades farmacológicas estudadas.
Pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprovaram em testes com camundongos o efeito analgésico desse vegetal, mais conhecido como cipó-cravo ou cipó-trindade. Batizado com esse nome por exalar um perfume de cravo, esse cipó é utilizado como remédio caseiro há séculos para combater má digestão e dores no estômago. Ele também é adotado popularmente como um forte estimulante e afrodisíaco quando misturado ao álcool.
Os resultados da pesquisa da Unifesp, primeiro estudo farmacológico feito sobre essa espécie, foram animadores, pois o extrato da planta não apresentou toxicidade quando administrado em camundongos. O estudo integra as pesquisas do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), e teve origem na monografia de fim de curso do estudante de biologia Daniel de Santi, orientado pela bióloga Rita Mattei. Os camundongos foram submetidos a dois testes para verificar suas respostas à dor. Num deles, eles deveriam ficar no máximo 30 segundos sobre uma placa aquecida a 55°C. No outro, uma solução com 0,8% de ácido acético aplicada nos animais causaria dores abdominais. "A planta protegeu os animais da dor ao diminuir o número de contorções abdominais induzidas por ácido acético e prolongar o tempo de resposta ao estímulo do calor no teste da placa quente", explica Rita Mattei.
Estudos fitoquímicos prévios já haviam apontado nessa planta a presença do alcalóide tinantina, que, segundo Rita, poderia ser a substância responsável por sua propriedade analgésica. Porém, novos estudos seriam necessários para comprovar essa suspeita e determinar em que tipo de tratamento o cipó-cravo seria mais indicado. "Até o momento foram realizados apenas estudos preliminares com a planta", disse Rita. "Não é possível ainda dizer para que tipo de dor ela seria indicada ou mesmo se seria um analgésico forte".
Até serem realizados testes com humanos, a bióloga acredita que serão necessários aproximadamente mais cinco anos de pesquisa. Além de possuir propriedade analgésica, a planta também apresentou uma ação antioxidante avaliada em teste in vitro, o que sugere que ela pode ter componentes que inibem a ação de radicais livres, produzidos durante a queima de oxigênio em nossas células e responsáveis pelo envelhecimento precoce.
Fonte: Ciência Hoje - fev/2004
In: http://www.jardimdeflores.com.br/