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domingo, 27 de julho de 2008

Cipó-cravo tem efeito analgésico
O cipó-cravo (Tynnanthus fasciculatus Miers) é usado popularmente paracombater má digestão e dores no estômago(foto: Stela Murgel/Unifesp)
Mesmo quase completamente devastada, a Mata Atlântica ainda reserva surpresas em sua vegetação nativa. Já bastante utilizada na medicina popular, só agora a espécie Tynnanthus fasciculatus Miers, originária desse bioma brasileiro, teve suas propriedades farmacológicas estudadas.
Pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprovaram em testes com camundongos o efeito analgésico desse vegetal, mais conhecido como cipó-cravo ou cipó-trindade. Batizado com esse nome por exalar um perfume de cravo, esse cipó é utilizado como remédio caseiro há séculos para combater má digestão e dores no estômago. Ele também é adotado popularmente como um forte estimulante e afrodisíaco quando misturado ao álcool.
Os resultados da pesquisa da Unifesp, primeiro estudo farmacológico feito sobre essa espécie, foram animadores, pois o extrato da planta não apresentou toxicidade quando administrado em camundongos. O estudo integra as pesquisas do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), e teve origem na monografia de fim de curso do estudante de biologia Daniel de Santi, orientado pela bióloga Rita Mattei. Os camundongos foram submetidos a dois testes para verificar suas respostas à dor. Num deles, eles deveriam ficar no máximo 30 segundos sobre uma placa aquecida a 55°C. No outro, uma solução com 0,8% de ácido acético aplicada nos animais causaria dores abdominais. "A planta protegeu os animais da dor ao diminuir o número de contorções abdominais induzidas por ácido acético e prolongar o tempo de resposta ao estímulo do calor no teste da placa quente", explica Rita Mattei.
Estudos fitoquímicos prévios já haviam apontado nessa planta a presença do alcalóide tinantina, que, segundo Rita, poderia ser a substância responsável por sua propriedade analgésica. Porém, novos estudos seriam necessários para comprovar essa suspeita e determinar em que tipo de tratamento o cipó-cravo seria mais indicado. "Até o momento foram realizados apenas estudos preliminares com a planta", disse Rita. "Não é possível ainda dizer para que tipo de dor ela seria indicada ou mesmo se seria um analgésico forte".
Até serem realizados testes com humanos, a bióloga acredita que serão necessários aproximadamente mais cinco anos de pesquisa. Além de possuir propriedade analgésica, a planta também apresentou uma ação antioxidante avaliada em teste in vitro, o que sugere que ela pode ter componentes que inibem a ação de radicais livres, produzidos durante a queima de oxigênio em nossas células e responsáveis pelo envelhecimento precoce.
Fonte: Ciência Hoje - fev/2004
In: http://www.jardimdeflores.com.br/

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Tribulus terrestris: a planta que é considerada um "viagra natural"
Tribulus terrestris
Os pesquisadores já descobriram que a Tribulus terrestris pode elevar significativamente os níveis dos hormônios LH e da testosterona.
Uma planta nativa da África e da Índia tem despertado a atenção aqui no Brasil por um detalhe bem interessante: por suas propriedades, ela é considerada um verdadeiro "viagra natural". Trata-se da Tribulus terrestris, planta pertencente à Família Zigophyllaceae, muito rústica, capaz de se desenvolver mesmo em climas desérticos e em solos pobres.
Além do nome sugestivo que recebeu aqui no Brasil, popularmente ela é conhecida também como puncture vine e goathead (em inglês), abrojo (em espanhol) e tribulus (em italiano). Outros nomes são bem comuns (já traduzidos para a nossa língua): cabeça-de-gato, espinho-do-diabo e erva-daninha-do-diabo.
A Tribulus terrestris é uma planta herbácea rasteira e perene, que pode se comportar como planta anual em regiões de clima mais frio. Apresenta grande quantidade de espinhos, que aparecem até nos frutos. Seus ramos estendidos podem atingir cerca de 50 cm, com folhas pequenas e opostas, podendo formar de 5 a 8 pares de folhas. Na primavera e no verão, a planta produz flores amarelas, com cinco pétalas.
Cerca de uma semana após o florescimento surgem os frutos, que contém de 4 a 5 sementes. Estas sementes são muito duras e cada uma delas tem duas pontas muito afiadas, semelhantes a chifres, que além de machucar os pés quando pisadas podem até furar pneus de bicicleta. Curiosamente, estas sementes já foram usadas como armas mortais na África do Sul. Elas eram impregnadas com o suco venenoso da Acokanthera venerata e colocadas estrategicamente onde as vítimas provavelmente pisariam. A planta sul-africana Acokanthera venerata contém um glicosídeo considerado cardiotóxico, forte o suficiente para causar a morte.
Tônico sexual
Na Grécia Antiga, era comum o uso dos frutos secos da Tribulus terrestris como um laxante suave e um tônico geral. Na China, era muito utilizada para tratar problemas do fígado e como remédio cardiovascular, além de eliminar dores de cabeça e exaustão nervosa. O uso como afrodisíaco era muito comum na Índia.
Mas, na verdade, o uso mais disseminado da Tribulus terrestris é no tratamento de problemas sexuais. O uso popular relata sucesso no tratamento de infertilidade nas mulheres, impotência ou disfunção erétil nos homens e aumento da libido em ambos os sexos. Os resultados dispararam a realização de vários estudos científicos por todo o mundo, inclusive no Brasil, com resultados bem promissores.
Os pesquisadores já descobriram que a Tribulus terrestris pode elevar significativamente os níveis dos hormônios LH e da testosterona, cujos efeitos foram confirmados com o aumento na freqüência e força na ereção, além de aumento do vigor na atividade sexual. Outros efeitos positivos foram relacionados, como a diminuição nas taxas de colesterol, melhora no humor e na auto-estima.
As partes da planta utilizadas como medicamento são as folhas e as raízes.
No Brasil, um dos estudos com a Tribulus terrestris foi realizado pelo ginecologista Décio Luiz Alves, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O pesquisador resolveu testar a planta após avaliar um estudo sobre a eficácia da planta que envolveu 45 homens - saudáveis e diabéticos, realizado na Indonésia, em 1998. O uso da medicação proporcionou uma melhora significativa (de até 65%) no desempenho sexual dos participante
Plantas Antioxidantes:Elas previnem o envelhecimento
Por: Luiz Carlos Leme Franco*
Há mais de três milhões de anos um acaso evolutivo do seu metabolismo fez as algas verdes/azuis começarem a liberar oxigênio, que subira da superfície das águas e se acumulou na mais alta atmosfera em forma de 03.Isso formou uma camada protetora contra raios ultravioletas do Sol, propiciando que os seres do mundo subaquático, onde a incidência desta energia letal era pequena, conquistassem a superfície da Terra.Este gás oxigênio, em todas as suas formas, tornou possível a expansão da vida no planeta porque permitiu, além da proteção às radiações, uma grandiosa eficiência metabólica com produção maior e mais rápida de energia que a fotossíntese. Este gás que se tornou extremamente necessário à vida é bastante tóxico e os organismos tiveram que sofrer uma grande adaptação bioquímica para conviver com ele.
Hoje, a sua taxa na atmosfera é estável, em torno de 21 %, e se o índice fosse maior que 25% haveria no planeta enormes incêndios, porque ele é altamente inflamável. Se, por outro lado, baixar de 15% o fluxo deste gás na cadeia energética das atuais mitocôndrias não se daria de modo satisfatório. Para manter este "quantum" nesta faixa, as plantas contribuem ainda com a sua fotossíntese e os demais organismos se adaptaram para destruir o excesso de oxigênio que a própria cadeia produz como radicais livres. Altamente reativos, eles destroem outros elementos com o objetivo de adquirir elétrons para se neutralizarem (embora a grande maioria destas reações ocorram com o oxigênio, não é exclusivo dele), reduzindo-se então, e oxidando os elementos que são forçados a ceder os elétrons faltantes. Daí serem oxidantes. Os elementos oxidados necessitam, por sua vez, de elétrons e a cadeia caminha desordenando células, tecidos, órgãos, sistemas que são obrigados a, mesmo sem poderem, ceder seus elétrons.
Assim, os seres que sobrevivem às custas deste mecanismo perigoso, se não controlado, adaptaram-se e contam com mecanismos antioxidantes para coibir isto, antes que este oxigênio, em suas formas reativas destrua o próprio organismo.A poluição, a fumaça, o cigarro, o estresse, o corte indiscriminado de vegetais estão contribuindo para que o sistema entre em falência porque os organismos não conseguem mais, sozinhos, inibir esta oxidação, através das substâncias que produzem, como as enzimas dismutase superóxida, peroxidase glutationa e catalase. Assim os organismos precisam de auxílio externo, proporcionado pelas vitaminas, principalmente as A, C e E, os flavonóides, os carotenos (e carotenóides = xantofilas) e pelos minerais como o selênio e o germânio, por exemplo.Estes elementos que o organismo não tem em sua dispensa, ou os tem pouquíssimo, devem ser obtidos via alimentação, como preceituam a medicina naturalista, a trofoterapia, a medicina ortomolecular e a fitoterapia, já que as plantas são as grandes fontes destas substâncias.
Trabalhando com as vitaminas e minerais citados como exemplo, temos o seguinte:
VITAMINA A - um grupo de compostos lipossolúveis e, portanto, acumuláveis nos corpos, pode ser disponível ao organismo sob a forma de retinóides, provenientes de alimentos de origem animal e de carotenóides, de origem vegetal, que na verdade é um precursor da vitamina A, só se transformando nela conforme a necessidade orgânica. Por esta propriedade os carotenóides não são tóxicos, como a vitamina já formada, retinóides de origem animal e que são cumuláveis. É essencial para a função sensível da retina, para o crescimento e para a manutenção dos epitélios. Também aumenta o poder do sistema imunológico e é grande antioxidante por absorver a energia da espécie ativa do oxigênio chamada singlet, talvez a mais ávida por elétrons. Ajuda a recompor a vitamina C desgastada em alguns processos metabólicos, é também grande antioxidante.Pode ser conseguida, por meio de pró-vitamina A nas plantas:
alfafa (Medicago sativa L),
alcachofra (Cynara scolymus L),
abacateiro (Persea gratissima Gaertn),
urucum (Bixa orellana L,B. arborea Hubr),
trigo(gérmen) (Triticum sativum Lank)
Spirulina maxima,
urtigas (U. dioica L ou U. urens e U. pilulifera).
O abacateiro, o alho (Allium sativum L), o sabugueiro (Sambucus nigra L), a malva (M. sylvestris L), a pfáfia (Pfaffia sp), as urtigas, o dente-de-leão (Taraxacum off. Weber), a videira (Vitis vinifera), o albicoco (Prunus armeniaca L)) e as algas Macrocystis pyrifera têm vitamina A.
VITAMINA C - Também conhecida como ácido ascórbico é indispensável à manutenção das cartilagens, dentes, veias, artérias e capilares. Atua beneficamente nas glândulas e na pele, pigmentando-a; auxilia o fígado na formação do glicogênio, colabora na absorção dos hidratos de carbono, e trabalha o sistema respiratório, principalmente aí, e como antiinflamatória atuando como grande antioxidante.Acha-se presente nas medicinais:
alfafa (Medicago sativa L),
rosas (norueguesa é melhor, mas também na mosqueta rubiginosa, syn. canina L),
mirtilo (Vaccinium myrtillus),
agrimônia (A. eupatoria),
urucum (Bixa orellana)
cavalinha (Equisetum arvense L),
alecrim (Rosmarinus officinalis.),
babosa (Aloe vera L, Aloe vulgar Lank, Aloe barbadensis Miller),
bétula (B. alba),
capuchinha (Tropaeolumm majus L),
dente-de-leão (Taraxacum officinalis. Weber),
borragem (Borago officinalis L) tem 0,04%,
camomilas (Matricaria chamomilla L é um bom exemplo),
pfáfia (Pfaffia sp),
ulmária (Spiraea u. L. Filipendula u.(L)M),
castanha-da-índia (Aesculus hippocastannus L) e do Pará (Bertholletia excelsa Humb. et Bonpi),
hibiscus (H. sabdariffa D. C.),
hipérico/hipericão (Hypericum perforatum L),
losnas (v.g. Artemisia absinthium L),
quebra-pedra (Phyllantus niruri L= 0,4%),
crataegus (C.oxyacantha),
dróseras (D. rotudifolia,intermedia e longifolia),
malva (M. sylvestris L),
hortelã-pimenta (Mentha piperita L),
cavalinha (Equisetum arvense L),
sabugueiro (Sambucus nigra L),
ginseng coreano (Panax gingeng C. A. Meyer),
celidônia (Chelidonium majus- pequena quantidade),
urtigas (U. dioica L ou U. urens e U. pilulifera),
tanchagem (Plantago maior L),
videira (Vitis vinifera),
tília (T. cordata Mill),
algas Macrocystis pyrifera
e muitas ervas usadas como alimentos.
VITAMINA E - também conhecida como (alfa)tocoferol tem como principal ação regularizar a reprodução, combatendo esterilidades e evitando abortos, além de normalizar gestações. Exerce, junto com a vitamina A, importante ação antioxidante ao inibir a peroxidação lipídica. Age na cicatrização e se peroxida quando é antioxidante. Atua bem nos processos inflamatórios. Regenera-se em presença de vitaminas C, B2 e A. Entre muitas outras ações retarda o envelhecimento por nos proteger da poluição do ar. Onde encontrar:
abacateiro (Persea americana Mill, syn Laurus persea L=Persea gratissima de Gaertn),
alfafa (Medicago sativa L),
pfáfia (Pfaffia sp),
trigo (Triticum sativum Lank),
castanha-do-pará (Bertholletia excelsa Humb. et Bonpi),
algas Macrocystis pyrifera,
o alimentício agrião (Nasturtium off),
as castanha-do-pará e de caju, nozes e pistache são recursos a serem usados em sua falta.
GERMÂNIO - Abundante na natureza, parece nos ser útil apenas pela sugestão de estudos há pouco realizados (de Kazuhito Asai e outros mais recentes) que indicam o seu componente orgânico Ge-132, como estimulante da imunidade e da destruição de radicais livres do oxigênio. Russos o estudam como antitumorais. Plantas medicinais que o fornecem:
Fucus vesiculosus,
Fucus crispus,
ginseng coreano (Panax gingeng),
babosa (Aloe vera L)
alho (Allium sativum L)
SELÊNIO - As substituições de células envelhecidas por novas, processo que ocorre com freqüência em nosso organismo, depende de Ácido Desoxirribonucleico e Ribonucleico e podem ser retardadas por oxidações em excesso. O selênio, antioxidante que reduz a oxidação de pontes sulfídricas das proteínas e na desnaturação do colágeno, trabalha aí. É tido como notável protetor do coração. Há evidências de bom uso na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – Aids - (o Selênio é um elemento chave no sistema imunológico). Onde encontrar: ]
alho (Allium sativum L),
cebola (Allium sepa),
cogumelo (champions e outros),
levedura de cerveja (Saccharomyces cerevisiae),
castanha-do-pará,
alguns cereais integrais
Além das plantas antioxidantes citadas por possuir as vitaminas e minerais acima, há muitas que agem como tal por possuir enzimas, flavonóides ou outras substâncias não interessantes ao nosso trabalho de agora. De exemplo citamos o arroz integral que tem radical anti hidroxila e antiradical superóxido; o boldo e o açafrão que bloqueiam a peroxidação lipídica.
Para saber mais:Alimentação Naturista, de Dieno Castanho - Alvorada, SP,1983.Alimentos que Curam, de Miriam Polunin - Marco Zero, SP,1997.Atividade física e radical livre, de Prof. José Luiz e Sérgio Signorini - ícone, SP,1993.Revista Consumidor S.A. pág 8-12 - Saúde garantida ou dinheiro perdido, s.a. - IDEC, SP. set 1995. Dicas de Alimentos e Plantas para a Saúde, de Dr. Sérgio Augusto Teixeira-ediouro, RJ,1973 Dicionário de Vitaminas, de Leonard Mervyn - ground, SP,1990.Earl Mindell’s Vitamine Biblle s.a., EUA s.d.As fórmulas mágicas das plantas, de Alexandros Spyros Botsaris - nova era, RJ, 1997.O poder das plantas, s.a. - claret, SP, 1995.O poder das vitaminas, s.a. - claret, SP, s.d.Revista da Assoc. Paulista de Medicina e Cirurgia - radicais livres, dr Pedro Fernandes Lara - APMC, n 119, páginas 33-49, SP,1992.Revista de Oxidologia, vários autores e números, AMBO, SP,1997,1998.Revista da Soc. Brasil. de Radicais Livres , vários autores e números, SMBRL, SP.Saúde (revista)- Medicina Ortomolecular- ano l n. 1, , s.a. - s.e. s.l., maio/95.Suplementos Nutricionais, de Dr. Márcio Bontempo - best-seller,SP,1997.The New England Journal de Medicine, de John G. Bieri et all - Vol 508, n.18, may,1983.Vida e Saúde,-pág 4-7-O perigo das megadoses-de Winston Craig- Adventista, SP,out 1994.Vitamins & Minerals s.a - Consumer Guide, EUA, March 1989.Vitamins & Minerals s.a - Consumer Guide, EUA, March 1989.Vitaminas, de Dr. Art Ulene, Dra.Val Ulene - eko, Blumenau, SC, 1995.
Luiz Carlos Leme Franco (lemefranco@netpar.com.br) é médico fitoterapeuta e professor de fitoterapia.